Vamos falar sobre ansiedade?


Hoje de manhã, enquanto bebia o meu cafezinho a passear pelo feed do Instagram, deparei-me com uma publicação do António Raminhos, um texto pequeno mas com muito sentimento, gostei, e devo dizer que eu, agarro-me ao peito para que o meu coração não saia do lugar!
Sofro de ansiedade há alguns anos, mas os ataques de pânico começaram a surgir há coisa de 1 ano e meio/2 anos.
O António Raminhos diz "aceita a ansiedade como quem aceita o vento na cara", é um facto, a ansiedade já é tão natural para mim, que já me deve correr nas veias, eu aceito a ansiedade, o que eu não consigo aceitar e lidar são os ataques de pânico, que vêm do nada e deixam um rasto como se de um furacão se tratasse.
Nao consigo aceitar porque, ter um ataque de pânico significa perder o controlo das coisas, perder o controlo do próprio corpo, perder o controlo de mim...
Ter um ataque de pânico, é querer sair de um carrossel e não conseguir...
Embora eles venham sem avisar, eu sei reconhecer os sinais, já larguei as compras no meio do supermercado e vim embora, sentir o coração a palpitar, as pernas a tremer, o calor a tomar conta do corpo e a boca a salivar, são as sirenes do corpo a dizer: Lá vem um ataque de pânico!
Já tive ataques em sítios fechados como centros comerciais ou supermecados, como também já me senti mal em casa, inclusive uma das vezes que isto aconteceu em casa, estava sozinha, e "surtei" de tal maneira que só me lembro de reagir deitada no chão da casa-de-banho a chorar...
Isto não é algo com que eu queira viver, não é algo que eu queria que a minha filha tivesse de lidar, não é algo que eu queira que aqueles que amo tivessem de assistir, mas é algo que tem de ser falado, é algo que tem de ser compreendido, é algo que faz parte da vida de uma pessoa ansiosa...
Está a fazer um mês que estou fechada em casa com a minha filha em teletrabalho.
Talvez esteja a ser a semana mais difícil e emocionalmente exaustiva, e porquê?
Porque já estou a sentir a ansiedade a querer entrar, eu sinto-a quando me sento no sofá e não consigo apreciar o sossego,nem ver uma série ou ler um livro, sinto a ansiedade a espreitar quando tenho de inventar mil e uma coisas para fazer, para que a minha cabeça não entre em curto-circuito.
A ansiedade anda aqui a espreita e eu só peço que apenas venha a ansiedade, que não me dê aqui nenhuma "macacoa", porque até isso tive de ensinar à minha filha bem cedo, a pegar no telemóvel e ligar a alguém a pedir ajuda! 



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