3 Anos De Divorcio, 1 Ano De Guarda Partilhada




Já passaram 3 anos desde que assinei o divorcio e 1 ano de guarda partilhada.

Foram horas, dias, semanas e meses de incertezas, de como tudo ia correr, de como as pessoas iam reagir, de como a nossa filha ia lidar com tudo isto, e acima tudo, como nós íamos lidar um com o outro.
Nunca é fácil uma separação, principalmente quando se tem filhos, para mim era claro como água, que tínhamos de levar isto da forma mais natural possível, que não fazia sentido haver discussões em frente dela ( uma vez que nunca houve, na verdade), e que a nossa filha nunca seria uma arma de arremesso.
O mais importante aqui era o bem estar dela, acima de qualquer coisa.
Mas como tudo na vida, não existem formulas perfeitas para as coisas acontecerem.
Levou tudo o seu tempo, cada um teve o seu tempo, o seu processo de "cura".
Tivemos de encontrar o nosso ponto de equilíbrio, cada um fez o seu "exercício" de entendimento.
Em cada ato nosso ou palavra dita havia sempre o cuidado de nos lembrarmos que além da filha em comum, também outrora, havíamos partilhado o mesmo espaço com os nossos pais e família alargada.
E a nossa "luta" diária, o nosso "exercício" não era com eles, era tudo nosso, mas a eles devíamos respeito e amor.
Se eu dizer que ainda hoje amo a família dele não estou a mentir, o meu amor por eles não terminou, o meu amor pela minha filha não terminou.
Então, a única relação que tinha de ser trabalhada, era a nossa, a relação de boa convivência e amizade.
Não foi fácil, mas chegamos lá...
Ainda hoje temos dias em que não concordamos em tudo, e rogamos pragas um ao outro😅(ele sabe que eu sei, e eu sei que ele sabe😛) O bom desta relação de amizade, deste entendimento, é que muito provavelmente, agora dizemos tudo o que queremos um ao outro sem prejuízo.
E pasmem-se, as pessoas estranham, quando digo que somos amigos, parece que acabei de dizer a maior barbaridade do mundo, que as vezes nos encontramos com a nossa filha e os nossos amigos no café, e estamos à mesma mesa, falamos e rimos, a nossa presença tornou-se suportável e agradável um para o outro, às vezes agarramos na nossa filha e vamos almoçar com ela.
Eu talvez saiba porque é tao estranho para as pessoas, é estranho, porque o "normal" de hoje em dia é as pessoas separarem-se e andarem a estalada um com a outra, o "normal" de hoje em dia é as pessoas separarem-se e fazerem das crianças uma arma de arremesso.
Isso foi algo que eu nunca achei normal, não é bonito, não é saudável, tanto para a criança como para o casal que se esta a separar, isso esgota uma pessoa, isso destrói qualquer criança que vive num ambiente assim.
Foi na minha filha que encontrei o foco, e na resiliência a capacidade para tudo isto.
Cada um no seu ritmo, mas com um objetivo em comum, a felicidade da nossa filha e sermos amigos, porque de outra maneira não faria sentido para mim.
Ele não é o "meu ex-marido", ele é o "pai da minha filha".



Livro de Carolina Jacques 
"Vais amar-te e respeitar-te"
Autora do Blogue Família 3 e 1/2


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